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06/09/2010

Nova biografia de Dietrich Bonhoeffer

Eric Metaxas (foto), autor do estudo sobre o teólogo Dietrich Bonhoefferintitulado "Bonhoeffer: Pastor, Martyr, Prophet, Spy" [Bonhoeffer: Pastor, mártir, profeta, espião], estabelece um novo padrão para a biografia popular. Uma obra muito bem-escrita e fascinante. E grande o suficiente para isolar as paredes da sua casa.

A reportagem é de Jana Riess, publicada no sítio Beliefnet. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Eric, quando a editora Thomas Nelson me enviou seu livro, eu pensei que devia haver dois ou três livros no pacote, por ser tão grosso. Então, eu o abri e encontrei um único volume imenso. Quanto tempo demorou para pesquisar e escrever essa biografia?

Sim, é um livro grande, muito mais longo do que aquele que eu pensei em escrever. Mas estou extremamente feliz por saber que diversas pessoas disseram ter ficado inicialmente assustadas com o seu tamanho, mas assim que começaram a lê-lo simplesmente não conseguiam parar. A revista Publishers Weekly até chamou-o de "fascinante"! É de extremo mau gosto o fato de um autor citar suas próprias críticas, mas, quando você escreve um livro longo, o fato de que muitas pessoas estejam realmente gostando dele significa muita coisa. A grande biografia anterior, de Eberhard Bethge, na verdade é o dobro maior e pesa dois quilos e meio. Então, comparado a esse, meu livro é um livro de bolso... Eu quis que o meu livro fosse definitivo, mas também acessível, e espero ter tido êxito em ambas as coisas.

Eu o escrevi durante o período de esforço mais concentrado que já fiz na minha vida. Foi como se eu estivesse correndo uma maratona e rezando para que Deus me desse a força para não desfalecer. Ele fez isso, então eu não desfaleci.

Por que você quis escrever a história de vida de Dietrich Bonhoeffer, a primeira grande biografia do teólogo a ser publicada em 40 anos? Como a vida dele fala para você?

A primeira vez que eu ouvi a história de Bonhoeffer foi em 1988, e eu fiquei simplesmente pasmo. A ideia de que um cristão devoto naAlemanha se levantava contra Hitler e se envolvevia na conspiração para matar Hitler e era morto em um campo de concentração era simplesmente fantástica. Minha mãe cresceu na Alemanha durante aqueles anos terríveis, e meu avô foi morto na guerra (eu dedico o livro a ele), de modo que esse período da história sempre me assustou. Ainda assim, eu nunca pensei que iria escrever uma biografia de Bonhoeffer. Mas depois do sucesso de "Amazing Grace", minha biografia deWilberforce [político e filantropo britânico do século XVIII], todos me perguntavam sobre quem eu ia escrever em seguida. Há apenas uma pessoa cuja vida me cativa tanto como a vida de Wilberforce, e esse homem é Dietrich Bonhoeffer. Ele é a pessoa mais autêntica que eu já encontrei, e eu sei que a sua vida fala poderosamente a nós de inúmeras maneiras. Ele é como o herói supremo, e sua história é tão inspiradora que eu tinha que contá-la a uma nova geração de leitores.

Uma das coisas mais interessantes sobre a sua biografia é que você se aproveitou de cartas e diários que nunca haviam sido publicados antes. O que isso acrescentou à história que você está contando?

Há uma série extraordinária de 16 volumes sobre as obras deBonhoeffer publicada pela editora Augsburg Fortress Press. Ela contém todas as cartas e anotações de diários e todas as outras coisas que ele escreveu, e a maior parte dos volumes foram traduzidos para o inglês, então eu tinha acesso a tudo. É um tesouro absoluto, e, como eu estava lendo tudo isso, encontrei coisas que eram especialmente interessantes, engraçadas, divertidas ou reveladoras, e eu pensei: "Eu tenho que pôr isso no livro". Por isso, há uma grande variedade de coisas no meu livro, incluindo algumas das poesias de Bonhoeffer.

Eu acho que, por meio da leitura de suas cartas a amigos e familiares e das anotações em seu diário, você obtém uma visão muito diferente da que você tem dele lendo apenas seus livros de teologia. Ela o humaniza muito e mostra que tipo de pessoa ele era. Ele surge como alguém acessível e encantador e gracioso, o tipo de pessoa com quem qualquer um adoraria passar o tempo. Esse é um retrato um pouco diferente do que alguém poderia ter dele apenas lendo seus livros.

Seu subtítulo sugere que você analisa quatro aspectos diferentes do homem Bonhoeffer: pastor, mártir, profeta e espião. Os cristãos provavelmente estão acostumados com os três primeiros. Mas o que a maioria das pessoas sabe sobre Bonhoeffer como espião da Resistência?

Em 1939, depois que Hitler declarou guerra contra a Polônia, e depois que Bonhoeffer retornou de sua fatídica e abreviada viagem para osEUA, ele perguntava a Deus o que fazer em seguida. E o que ele acabou fazendo foi trabalhar para a inteligência militar alemã – a chamada Abwehr – sob a supervisão de seu cunhado, Hans vonDohnanyi. Mas, é claro, Dohnanyi e muitos outros na Abwehr estavam envolvidos na conspiração contra Hitler. É por isso que Bonhoeffer se juntou a eles! Então, ele se tornou um agente duplo. Na superfície, ele estava trabalhando para a Abwehr, mas, na realidade, estava trabalhando para fazer contatos com os aliados, para que eles soubessem que havia alemães dentro da Alemanha que estavam trabalhando para derrubar o Terceiro Reich. Isso é simplesmente impressionante.

Seu livro também investiga a história de amor entre Bonhoeffer e sua noiva muito mais jovem, Maria von Wedemeyer. Eles surgem no livro como pessoas muito diferentes. Como eles vieram a se apaixonar?

Eu não quero estragar a surpresa, porque essa é uma das melhores partes do livro, mas a linha de fundo é que isso aconteceu de forma totalmente inesperada. Bonhoeffer estava visitando a avó de Maria, que era uma amiga muito querida dele, e Maria apareceu por ali, e eles passaram a noite conversando. Bonhoeffer ficou tão surpreso com relação a seus sentimentos quanto todos os demais. Ele tinha certeza nesse ponto de sua vida que nunca iria se casar.

Essa é uma biografia que revela tudo, um retrato equilibrado de um grande homem que estava sob um terrível stress em uma guerra injusta. Quais foram algumas das falhas de Bonhoeffer e como elas se manifestaram durante a sua vida?

Bonhoeffer era extremamente brilhante e auto-disciplinado, por isso ele era às vezes muito crítico e exigente e podia perder a sua paciência com as pessoas. Ele escreve a respeito disso em uma carta à sua melhor amiga, Bethge, desculpando-se por isso. Algumas pessoas também pensam nele como alguém reservado, que mantinha um pouco de distância entre si e os outros. Ele era um indivíduo extremamente complexo, mas parece ter sido extremamente ciente e consciente de seus defeitos e sempre tentou corrigi-los. Eu suponho que se alguém estiver desesperado para encontrar uma minhoca na maçã sempre pode citar o fato de ele ter sido fumante.

Bonhoeffer tem desfrutado um grande aumento de popularidade recentemente. Por que você acha que seus escritos são tão atrativos para as pessoas hoje?

Há algo em Bonhoeffer que parece ser extremamente moderno, como se toda a sua vida e seus escritos tivessem sido escritos para nós, hoje. Ele morreu jovem, então ele sempre será jovem e sempre manterá um certo frescor e apelo aos jovens. Mas há algo sobre a sua autenticidade extraordinária que nos fala especialmente hoje com força particular. Ele analisou diretamente a religião morta e passou sua vida adulta inteira tentando mostrar a diferença entre a religião morta e uma fé real e pessoal em Jesus Cristo. Sua relutância em tolerar linguagens técnicas, slogans e sofismas teológicos ou filosóficos parece ser particularmente atraente para nós hoje, que já tivemos o suficiente disso e que ansiamos por alguém para nos dês uma alternativa a isso.

Depois de sua biografia de Bonhoeffer e de William Wilberforce, qual será seu próximo passo? Você tem outros livros futuros planejados?

Não tenho certeza do que exatamente o vou escrever em seguida. Mas uma coisa eu sei: vai ser muito, muito curto.


Fonte: Instituto Humanitas

dica da Roseli K

05/09/2010

Mr. Bean na Biblioteca

04/09/2010

No reino dos best-sellers

A. P. Quartim de Moraes - O Estado de S.Paulo

As listas de livros de ficção mais vendidos no Brasil revelam claramente que a indústria editorial brasileira, no segmento sintomaticamente denominado trade (livros de interesse geral comercializados no varejo), está totalmente atrelada à norte-americana. Muito especialmente na ficção, o livro que não passa, primeiro, pelos best-sellers do jornal The New York Times tem escassas possibilidades de entusiasmar as nossas casas publicadoras. Esse desinteresse - fenômeno de natureza originariamente comercial, fruto também da globalização da economia - condena ao estiolamento a literatura brasileira. Não tem como evoluir uma literatura que não é publicada.

No ranking semanal de ficção divulgado no suplemento Sabático deste jornal em 28 de agosto, dos oito autores dos dez, digamos, romances mais procurados nas livrarias, cinco são americanos (Rick Riordan e Nicholas Sparks, com dois títulos cada, e ainda P. C. Cast, Dan Brown e Lauren Kate). Os outros três são a chilena Isabel Allende e o canadense William P. Young, não por coincidência, ambos radicados nos Estados Unidos, e, last but not least, um brasileiro, o novato Eduardo Spohr, autor de A Batalha do Apocalipse: da Queda dos Anjos ao Crepúsculo do Mundo. A lista da revista semanal Veja é semelhante, à exceção da substituição de Lauren Kate por Paulo Coelho. Questão de critério, já que, na relação do Sabático, O Aleph figura entre as obras não ficcionais. Mas também não faz a menor diferença...

Para publicar um best-seller da lista do New York Times uma editora brasileira precisa investir pesado. Os direitos de publicação dessas obras são geralmente adquiridos em leilões cujos lances costumam superar os US$ 100 mil. E ainda há o custo da tradução, mais o da impressão de uma tiragem inicial de, no mínimo, 15 mil ou 20 mil exemplares necessários para atingir o ponto de equilíbrio. Soma-se a isso o dinheiro gasto na divulgação midiática e comercial. Quando dá certo, é uma beleza! Mas a experiência de prejuízos acumulados com advances não recuperados demonstra dramaticamente que o oráculo supremo das nossas casas publicadoras - as listas do New York Times ou da Amazon - está longe de garantir sucesso de vendas no Brasil.

O negócio do livro nunca foi, em época alguma, em nenhuma parte, campeão de lucros. Mas sempre cumpriu de alguma maneira sua função civilizadora. No entanto, desde que meia dúzia de grandes corporações multinacionais passou a dominar, nos últimos 30 anos, o negócio da comunicação no planeta, absorvendo nos conglomerados as mais importantes editoras europeias e norte-americanas, os conteúdos literários passaram a ser nivelados por baixo, partindo do princípio tolo de que para aumentar o número de consumidores de livros é necessário publicar obras "ao alcance" da maioria.

Bem, esse é o mundo em que vivemos, e ninguém está querendo defender a elitização dos conteúdos literários, a produção exclusiva de biscoito fino para um público selecionado. Cada vez mais, aqui e em todo o mundo, essa é uma tarefa que tem recaído sobre os ombros das pequenas editoras independentes, das casas publicadoras universitárias, daquelas mantidas por instituições públicas ou privadas sem fins lucrativos.

Mas, quando nos deparamos com a presença dominante e quase exclusiva de autores estrangeiros nas listas de romances mais vendidos no País, somos levados a uma de duas conclusões: o nosso big business editorial está negligenciando os autores nacionais ou estes estão desaparecendo/trabalhando mal. Pode-se descartar a segunda hipótese sem medo de errar. Qualquer editor conhece muito bem a enorme quantidade, e a qualidade que daí se pode extrair, de originais oferecidos por miríades de autores inéditos e também, em número igualmente surpreendente, por excelentes escritores que encontram as portas fechadas para seus novos livros apenas porque ainda não conseguiram produzir um best-seller.

Há editores e livreiros que alegam, como que se desculpando, que "o nosso leitor realmente não gosta de histórias brasileiras". Não fica muito claro, mas esse argumento parece significar que o consumidor de livros no Brasil constitui uma elite intelectual que, como tal, tem um gosto apurado demais para o "produto nacional". Daí a tendência natural de oferecer ao distinto público o "produto importado". Muito chique. Mas alguém explique, por favor: a ficção que frequenta as listas do New York Times é, no geral, de feitio a agradar a alguém de "gosto apurado"? É melhor admitir logo que o que importa mesmo é a grana.

A verdade é que literatura brasileira vende pouco porque as grandes editoras, que ditam os rumos do mercado, não estão dispostas hoje, salvo as honrosas as exceções de praxe - e, mesmo assim, vamos com calma! -, a botar dinheiro nela. Ninguém parece atentar para o fato de que conteúdos genuinamente brasileiros vendem, e muito bem, no mundo inteiro, quando se trata de teledramaturgia, porque as nossas emissoras de televisão há 50 anos investem pesado nas novelas e acabaram criando um padrão internacional de excelência.

No mundo do livro, também se investe muito, em caríssimos títulos estrangeiros - grande parte, apenas lixo - que chegam comercialmente credenciados apenas por altos índices de vendas lá fora. Então, se o segredo é o dinheiro, por que não botá-lo com a mesma generosidade na criação literária brasileira? E apoiar a produção literária nacional não significa apenas editar eventualmente uma obra com tiragem de 2 mil exemplares e abandoná-la à própria sorte.

Os publishers brasileiros precisam olhar para o futuro e pensar também na responsabilidade social e cultural que o seu negócio implica.


Jornalista, é editor associado da Global Editoral

Dan Brown lidera lista de livros "menos desejados"

Flávia Denise de Magalhães - Portal Uai

A maior rede de livros usados da Inglaterra, Oxfam, anunciou que o livro mais doado, o que as pessoas menos querem manter em suas estantes em casa é O Símbolo Perdido, de Dan Brown. O livro foi publicado no país no segundo semestre de 2009 e chegou ao primeiro lugar de muita lista de mais vendidos ao redor do mundo. Porém, um anos após o seu lançamento, o livro que demorou seis anos para ser escrito inunda o sebo inglês.

Outros autores que figuram a lista dos menos desejados da livraria são: Ian Rankin, Patricia Cornwell, Alexander McCall Smith, John Grisham, Danielle Steel e JK Rowling.

A rede Oxfam recebe doações de livros e outros itens, vende-os em suas lojas e doa o dinheiro para ajudar populações carentes ao redor do mundo.

03/09/2010

Livros - Caetano Veloso



Livros

Composição: Caetano Veloso


Tropeçavas nos astros desastrada
Quase não tínhamos livros em casa
E a cidade não tinha livraria
Mas os livros que em nossa vida entraram
São como a radiação de um corpo negro
Apontando pra a expansão do Universo
Porque a frase, o conceito, o enredo, o verso
(E, sem dúvida, sobretudo o verso)
É o que pode lançar mundos no mundo.

Tropeçavas nos astros desastrada
Sem saber que a ventura e a desventura
Dessa estrada que vai do nada ao nada
São livros e o luar contra a cultura.

Os livros são objetos transcendentes
Mas podemos amá-los do amor táctil
Que votamos aos maços de cigarro
Domá-los, cultivá-los em aquários,
Em estantes, gaiolas, em fogueiras
Ou lançá-los pra fora das janelas
(Talvez isso nos livre de lançarmo-nos)
Ou ­ o que é muito pior ­ por odiarmo-los
Podemos simplesmente escrever um:

Encher de vãs palavras muitas páginas
E de mais confusão as prateleiras.
Tropeçavas nos astros desastrada
Mas pra mim foste a estrela entre as estrelas.

02/09/2010

Primeiro livro da série As Crônicas de Gelo e Fogo está em pré-venda!

O primeiro livro da série As Crônicas de Gelo e Fogo, A Guerra dos Tronos, do escritor americano George R. R. Martin, já está em pré-venda em algumas lojas de comércio eletrônico. O livro que é editado pela Leya Cult, selo da editora Leya, tem previsão de lançamento para o dia 15 de Setembro.

O preço do livro está razoavelmente salgado, mas o que compensa é o ótimo trabalho editorial e suas 592 páginas. Compre na Livraria Cultura e Saraiva. O site da série também já está no ar, confira mais informações da saga!


"Em A Guerra dos Tronos, o primeiro livro da aclamada série As Crônicas de Gelo e Fogo, George R. R. Martin – considerado o Tolkien americano – cria uma verdadeira obra de arte, trazendo o melhor que o gênero pode oferecer.

Uma história de lordes e damas, soldados e mercenários, assassinos e bastardos, que se juntam em um tempo de presságios malignos. Cada um esforçando-se para ganhar este conflito mortal: a guerra dos tronos. Mistério, intriga, romance e aventura encherão as páginas deste livro, agora também um blockbuster da HBO!"

Biblioteca Grécia / Roma

Biblioteca Grécia / Roma

A palavra grega bibliothêkê designava na Grécia um local (primeiro as prateleiras, depois o prédio) para a conservação dos biblía [livros], ou seja, tanto obras literárias e científicas como peças de arquivo, sob a forma de rolos de papiro ou pergaminho.

No mundo grego, as bibliotecas eram um instrumento de prestígio para as monarquias. Isso ocorria desde a época das tiranias arcaicas (Pisístrato teria criado a primeira biblioteca de Atenas especialmente para a conservação de uma edição oficial dos textos homéricos) e, sobretudo, sob as dinastias helênicas, com a coleção pertencente ao museu de Alexandria e ao anexo ao santuário de Atena Nikephoros na acrópole de Pérgamo. A mais rica das bibliotecas antigas, a de Alexandria, fundada por Ptolomeu Filadelfo (rei do Egito de 285/283 a 246 a.C.), era organizada segundo os princípios aristotélicos de classificação do saber universal. Se a arquitetura das bibliotecas helenísticas ainda é pouco conhecida, a dos edifícios imperiais pode ser observada, como em Éfeso (biblioteca de Celsus), com seu sistema de isolamento contra a umidade e nichos profundos para os armários de madeira nos quais eram dispostas as caixas de livros.

Provavelmente imitando Alexandria, em 47 a.C. César instalou em Roma a primeira biblioteca pública e confiou sua realização ao erudito Marco Terêncio Varrão. Até então, a aristocracia romana constituía bibliotecas privadas, das quais uma foi parcialmente conservada, a da Vila dos Papiros em Herculano, propriedade de Lúcio Calpúrnio Pisão, cõnsul em 58 a.C. e sogro de César. Durante o império, as bibliotecas públicas se multiplicaram em Roma, com geralmente duas coleções, uma grega e uma latina. Augusto criou a biblioteca ad Apollinis, anexa ao santuário de Apolo Palatino; Vespasiano, a do templum Pacis; e Trajano, a bibliotheca Ulpia. Esta continha o relato de Trajano sobre as guerras contra os dácios, ilustrada pelos baixos-relevos dispostos, como um volumen, em torno da Coluna de Trajano, situada entre as duas salas da biblioteca.


Gilles Sauron, professor de arqueologia romana na Universidade Prais IV-Sorbonne

Fonte: História Viva. Antiguidade de A a Z

01/09/2010

Livros só mudam pessoas

Sinceramente, existem poucas coisas mais simples do que essa frase do poeta Mário Quintana: “Os livros não mudam o mundo, quem muda o mundo são as pessoas. Os livros só mudam as pessoas.” Nas páginas de um livro estão todos os caminhos, argumentos e chaves para abrir o pensamento. Então, por que se lê tão pouco no Brasil? Tirando o analfabetismo, as razões esbarram em questões culturais. Entrevistei, certa vez, a escritora Ana Maria Machado, premiada na área infanto-juvenil, e perguntei como se consegue fazer uma criança gostar de ler. Ela respondeu: “Dando o exemplo.” Os pais levam os filhos ao parque e ao cinema. Levam à livraria? Na maioria das vezes, não. Logo que a saga de Harry Potter, de J. K. Rowling, começou a virar fenômeno mundial, muito se debateu sobre a qualidade do best-seller baseado no bruxinho órfão. O crítico literário e escritor inglês Harold Bloom, por exemplo, disse que não adiantava ficar assanhado com o sucesso de Harry Potter porque esses adolescentes se tornariam, no futuro, no máximo, leitores de Stephen King. Mas como bem lembrou Ana Maria Machado, a amizade com os livros se faz de várias maneiras. Potter poderia levar a Marcel Proust? Sim, se o primeiro proporcionar o prazer da leitura. Já dizia o poeta Oswald de Andrade: “A massa ainda comerá o biscoito fino que eu fabrico.” Muito timidamente, isso acontece. Ver Espumas flutuantes, de Castro Alves, ser vendido a dois reais – numa dessas máquinas em que se inserem as moedas e o produto é liberado – em uma estação de metrô parece devaneio. Mas acontece: eu vi! Vai demorar muito para chegarmos às tiragens iniciais de um John Grisham, por exemplo, de quase um milhão de exemplares só nos Estados Unidos. Mas o caminho é esse: dar o exemplo e dar acesso.

via IstoÉ

Estrela Cadente: as contradições e trapalhadas do PT (1)


Jean-Paul Sartre vivia no conforto da França, com bastante dinheiro no bolso, enquanto defendia a máquina assassina do Estado Soviético, assim como admirava Mao, um dos maiores genocidas da história. Enquanto Sartre elucubrava sobre as maravilhas do regime durante suas fartas refeições, milhões morriam de fome por causa do "grande salto" lançado pelo comunista, que foi na verdade um salto do precipício. Gabriel Garcia Márquez, amigo de Fidel, admitiu em entrevista que sua obra lhe proporcionava entre 350 e 400 mil dólares anuais. O escritor Saramago apoiou, durante anos, o socialismo cubano, que escravizou a população e, que trouxe miséria generalizada, com a exceção apenas de Fidel e seus amigos. Rompeu com Fidel após o assassinato de mais três intelectuais, como se os milhares no currículo do ditador não tivessem importância ou fosse justificáveis pelo fim maior da revolução. saramago ganhou o prêmio Nobel de literatura e juntou uma boa fortuna com a venda de seus livros.

Rodrigo Constantino, em Estrela Cadente: as contradições e trapalhadas do PT (Soler)

Do tamanho do mundo

Uma biblioteca pode ter dez ou mil livros, até mais. Pode ser do tamanho do mundo. Ou revelar a dimensão da curiosidade de seu proprietário. Livros, livros, livros. Há quem acumule. Outros precisam ter obras diante do campo de visão. Para, mais que ler, reencontrar ideias, enredos, experiências sensoriais que somente a leitura proporciona.

O casal Peggy e Rogerio Distefano divide a existência há 36 anos. Nessa temporada, são mais de três mil livros (em comum) espalhados por cinco cômodos. Ele, 60 anos, é procurador do Estado e comprou o primeiro livro quando tinha 14 anos. Atualmente, investe R$ 400 todo mês em livros, sobretudo de História e Sociologia. A sua dieta de leitura tem duração mínima de quatro horas nos dias úteis. As leituras não são regulares, interrompidas, nos fins de semana. Peggy, tradutora profissional, não tem a mesma voracidade que o marido. Já leu muita poesia. Ganhou um livro do poeta Keats, uma relíquia, diretamente das mãos de outro poeta, o seu amigo Paulo Leminski. Uma biblioteca pode ser um elemento que une duas vidas – Peggy e Rogério que o digam.

Uma biblioteca pode ser um legado, um exemplo e uma maneira de estar e enfrentar a vida. O advogado Renato Kanayama, 59 anos, tem 40 mil livros. Todo esse acervo teve início com o seu pai, o também advogado Kiyossi Kanayama (1916-2005). São necessárias quatro residências para armazenar essas obras. “Na internet há informações. O conhecimento está nos livros.” A frase revela a opção existencial de Kanayama. Não troca os livros por nada. Em sua viagens, pelo Brasil e pelo mundo, visitar livrarias é programa obrigatório. Os livros o acompanham na praia, na casa, na fazenda. “É o melhor lazer”, afirma Kanayama.

José Monir Nasser, 52 anos, nasceu em uma casa onde livros faziam parte do cotidiano, talvez até mais do que bola, jogo de botão e figurinhas. O atual presidente da Aliança Francesa de Curitiba talvez não pudesse prever, mas o seu futuro estaria diretamente ligado a esse incrível objeto que resiste a quase tudo para combater traças e fungos, ele usa um sachê de cravo, cânfora e citronela. Há alguns anos, está à frente do projeto Expedições pelo Mundo da Cultura, que tem apoio do Sesi-PR – Serviço Social da Indústria, e reúne pessoas para discutir clássicos da literatura mundial. “É preciso ler dez livros para começar a entender uma obra”, teoriza. Todo mês, ele lê pelo menos uma dúzia de livros de sua biblioteca, hoje com três mil títulos – em contínua desorganização, como é toda biblioteca viva.

Vera Vidal, a exemplo de Nasser, e de muitos outros leitores, começou a ler ainda criança. Aos 9 anos, era a “proprietária” de uma das prateleiras da estante de sua mãe. Hoje, décadas depois, é a “dona” de várias prateleiras, que ocupam uma parede do piso superior da cobertura onde vive. De uma coleção de Eça de Queiroz a best sellers, incluindo Dewey, um Gato entre Livros, tem amplo repertório. Por falar em gato, o felino Stefan é companheiro em suas aventuras entre uma página e outra. Para Vera, e para muita gente, biblioteca não se resume a reunião de livros. Fotos, cadernos, álbuns e outros objetos também cabem na estante. Um papel envelhecido, e Vera lembra que já leu Virgílio, declamou Castro Alves e, um dia, foi bailarina. Uma biblioteca também pode ser uma “máquina do tempo”.

dica do Chicco Sal (via Gazeta do Povo)

Biblioteca - Egito

Os soberanos, os templos e os particulares dispunham de bibliotecas mais ou menos especializadas, que variavam em tamanho. Os textos frequentemente fazem alusao à consulta de obras antigas nas bibliotecas, pelos soberanos, como o rei da 13ª dinastia, Neferotep I, que desejava conhecer as práticas mais ortodoxas para satisfazer os deuses. No túmulo de Amenófis III, foi encontrada uma coletânea de poesia com seu ex-libris.

Essas obras eram compostas, copiadas e às vezes conservadas em tipos de scriptoria chamados "casas de vida". O conteúdo de algumas bibliotecas de templos, como a de Edfu, é conhecido graças a inscrições na capela onde ficava instalada, que reproduzem os títulos da coleção.

Outras se conservaram até hoje, como as de Tebtynis, em Fayum - encontrada na casa de um sacerdote - ou a de Tânis, no delta oriental. Ambas datam de I d.C.. A de Tebtynis contém várias centenas de papiros redigidos em demótico, hierático, hierógrifos ou grego. Tratam de literatura, religião, astronomia, astrologia, oniromancia, matemática, medicina, botânica etc.

Também foram conservadas outras bibliotecas antigas privadas, como a de um sacerdote-leitor do Império Médio, colocada em seu túmulo o templo de Ramesseum, e a de uma família de Deir el-Medineh da época ramessida.

Dominique Valbelle, professora na Universidade de Paris IV-Sorbonne

Fonte: História Viva - Antiguidade de A a Z

31/08/2010

Biblioterapia pode ser mais eficaz que antidepressivo

Hélioi Schwartsman, Folha de S. Paulo

Livros de autoajuda na área médica vendem horrores por uma razão muito simples: eles funcionam.

Num trabalho publicado em 2004 no periódico "Psychological Medicine", Peter den Boer e seus colegas da Universidade de Gronigen, na Holanda, compararam vários estudos que avaliaram a eficácia de livros de autoajuda (biblioterapia) em casos clínicos de ansiedade e depressão.
Concluíram que a biblioterapia é significativamente mais eficaz do que placebos ou inclusão em lista de espera para terapia, e praticamente tão eficaz quanto tratamentos curtos ministrados por um profissional. Ainda mais interessante, ela se mostrou medianamente mais eficaz do que o uso de antidepressivos.

Esses resultados estão em linha com o que foi apurado em outras metanálises feitas principalmente nos anos 90, e também com as conclusões de uma força-tarefa que a Associação Psicológica Americana (APA) montou em fins dos anos 80.

Antes, porém, de trocar seu psiquiatra (R$ 400 a sessão) e seu Prozac (R$ 145 a caixa com 28 cápsulas) por um livro (R$ 19,90 o exemplar de "Como Curar a Depressão", Ed. Sextante), convém fazer algumas ponderações sobre esses achados.

Parte do efeito positivo da biblioterapia pode ser atribuído a um viés de seleção. Deprimidos que buscam ativamente uma mudança de comportamento -ou seja, aqueles que compram os livros- são melhores candidatos à cura do que os pacientes que sucumbiram à apatia.

Outro problema é que os estudos de eficácia normalmente avaliam obras de boa qualidade, escritas por profissionais gabaritados. Essa, evidentemente, não é a regra num mercado que lança milhares de títulos por ano.

E, como os remédios, livros errados envolvem alguns riscos. Num trabalho publicado em 2008 em "Professional Psychology", Richard Redding e colegas avaliaram 50 obras de alta vendagem nos EUA relativas a transtornos de ansiedade, depressão e trauma.

Como era de esperar, a qualidade e os problemas variam muito. Há desde aqueles livros que apenas esquecem de avisar que o tratamento pode falhar (50% dos títulos) até os que dão conselhos capazes de provocar efeitos adversos (18%).

A boa notícia é que, prestando atenção a alguns poucos itens, como se o autor é um profissional de saúde mental e se tem títulos acadêmicos, é possível fugir das piores arapucas. Em princípio, essa regra deve valer também para o Brasil.

Ressalvas à parte, a literatura médica de autoajuda é um fenômeno que deveria ser olhado com mais carinho por profissionais e autoridades. Ela tende a funcionar ao menos em alguns casos, permite atingir grandes populações, e apresenta a melhor relação custo-benefício.


+ Ler é o remédio